Cultura inútil: Puxa-saco, adulador, bajulador

Por Fillis Niorges 07/07/2017 - 02:05 hs

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Por Mouzar Benedito.

Puxar o saco, segundo li em algum dicionário, é cativar a benevolência dos potentados; festejar por lisonja e servilismo; pegar no bico da chaleira; prestar-se a vilanias para conseguir alguma coisa.

Ser adulado (e gostar disso) é aceitar as oblações; escutar o canto da sereia; deixar-se inebriar nos turbilhões de incenso; deixar cair o queijo da boca.

Uma vez, há muitos anos, fiz um agrado a uma moça goiana e ela me disse: “Você me adula demais”.

Adula! Sorri. Nunca mais, desde criança, tinha ouvido isso. Adula, usada aí não teve sentido pejorativo. Adular, no caso, tem o mesmo sentido que lisonjear, afagar, acariciar. Mas em outras circunstâncias pode ter. Adular, assim como lisonjear, pode ser o mesmo que bajular, puxar o saco.

Bajular, no dicionário Houaiss tem como primeira definição “lisonjear para obter vantagens”. Ou seja, é uma adulação mal-intencionada.

Bom já que falei em dicionário, aí vão alguns sinônimos de adulação/bajulação: zumbaia, tagaté, bajulice, banha, louvaminhice, candonga, blandície, engodo, graxa, incenso, graxadela, lisonja, lambança, lambedela, prazenteio, puxa-saquismo, moganga, moganguice, contumélia.

 

E puxa-saco, bajulador? Alguns sinônimos: caçambeiro, cafofa, lambe-botas, derrengado, lambe-cu, adulão, baba-ovo, escova-botas, engrossador, corta-jaca, capacho, chaleira, chaleirista, cheira-cheira, chupa-caldo, turificador, turiferário, xeleléu, xereta, incensador, zumbaieiro, louvaminheiro, canonizador, bajoujo, banhista, lambe-esporas, lambeta, mesureiro, afocinhado no chão, capacho, mesureiro, pelego, sabujo, servil, servilão, sorrabador e… puxa-saco!

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Parênteses: assim como “fazer nas coxas”, a expressão “puxa-saco” não tem a origem que muita gente pensa. No Brasil dos tempos de escravidão não existiam formas para fazer telhas. Os escravos que trabalhavam nas olarias e tinham a função de fazer telhas usavam como forma as suas próprias coxas. Como um tinha a coxa mais grossa outro mais fina, as telhas não ficavam iguais. Daí surgiu a expressão “feita nas coxas”, e também “fazer nas coxas”, para coisas sem padrão ou malfeitas.

E puxa-saco? Acredita-se que tenha origem na gíria militar. Nas, viagens, os oficiais levavam suas roupas em sacos. Mas eles mesmos não se davam ao trabalho de carregar os sacos de roupas, seus ordenanças faziam isso e eram chamados de puxa-sacos.

A expressão ganhou popularidade a partir do carnaval de 1946, por causa de uma marchinha composta por Roberto Martins e Erastótenes Frazão, satirizando os políticos que aderiam ao Marechal Eurico Dutra, eleito presidente da República depois da deposição de Getúlio Vargas. Até hoje, em certos momentos, canta-se o trecho da música que diz: “O cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais”.

Eu falei em “políticos que aderiam” ao Dutra, um péssimo presidente (no caso de Dutra, eleito)? Ah, que coisa mais atual! Quer dizer, sempre atual. Só mudam os nomes do adulado e dos puxa-sacos. E muitos que têm qualquer poder gostam de se rodear de bajuladores, odeiam críticas que poderiam torná-los melhores. Acredito que nunca deixou de existir esse tipo de gente – bajulado/bajulador (e não só políticos) – capaz de fazer de tudo para obter vantagens, ou pelo menos não ser punida por suas safadezas, ficar bem com os poderosos. E isso inclui rastejar, rasgar seda para esses poderosos… Alguns chamam esse tipinho de sicofanta.

Sim, sicofanta é uma palavra grega usada há algum tempo para se referir a quem bajula poderosos tentando obter vantagens. O significado original da palavra sicofanta é “aquele que denuncia a exportação de figos”. Será que exportar figos era proibido? Não sei… Mas em algumas cidades da Grécia Antiga ela ganhou novo significado que Andócides de Atenas considerava coisa de gente indigna (e eu concordo): sicofanta era um delator profissional que circulava pela cidade buscando informações sobre as pessoas para as denunciar, com a finalidade de obter algumas vantagens.

Bom… Sicofanta, puxa-saco, bajulador, adulador… Vejamos algumas frases que andei catando por aí.

Frases e ditados

Renato Kehl: “O bajulador, adulador ou lisonjeador é quase sempre um ente infeliz porque se sente inferior e se reconhece desprezível”.

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William Shakespeare: “Os amigos me adulam e me fazem de asno, mas meus inimigos me dizem abertamente o que sou, de forma que com os inimigos prendo a me conhecer e com os amigos me sinto prejudicado”.

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Shakespeare, de novo: “Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador”.

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Ditado popular: “A boca do bajulador é um sepulcro aberto”.

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Avril Lavigne: “Sou bem clara quanto ao que gosto, o que não gosto e o que quero. Não sou uma puxa-saco. Não sou bajuladora. Não fico falando besteiras. As pessoas podem me ver como uma vaca, mas, na minha posição, tenho que ser capaz de proteger a minha imagem”.

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Francisco Quevedo: “Pode haver punhalada sem lisonja, mas não lisonja sem punhalada”.

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Churchill: “Um bajulador é aquele que alimenta um crocodilo e espera comê-lo no final”.

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François L Rochefoucauld: “A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana”.

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Ditado popular: “Deve fugir-se de quem nos louva e aturar quem nos ofende”.

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Friedrich Nietzsche: “O cristianismo deve sua vitória a essa desprezível adulação da vaidade pessoal. Conseguiu convencer exatamente todos os fracassados, os simpatizantes da insurreição, os malsucedidos, todo o lixo e a escória da sociedade”.

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Nietzsche, de novo: “Adulam-te como um deus ou um diabo! Choramingam diante de ti como diante de um deus ou de um diabo. Que importa? São aduladores e chorões, nada mais que isso”.

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Padre Antônio Vieira: “Mais afronta a mesura de um adulador que uma bofetada de um inimigo”.

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Não sei quem: “Quem puxa o saco, puxa inclusive o tapete”.

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Ditado popular: “Quem gosta de ser adulado é cúmplice do adulador”.

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Tácito: “Os aduladores são a pior espécie de inimigos”.

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Diógenes: “Entre os animais ferozes, o de mais perigosa mordedura é o delator; entre os animais domésticos, o adulador”,

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Provérbio hindu: “As línguas dos bajuladores são mais macias do que seda na nossa presença, mas são como punhais na nossa ausência”.

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Barack Obama: “Livre-se dos bajuladores. Mantenha perto de você pessoas que te avisem quando você erra”.

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Jean de La Bruyère: “Muitos adjetivos, péssimos elogios. Os fatos é que elogiam”.

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Madame Swetchine: “A adulação mais perigosa de todas é a inferioridade do meio que nos rodeia”.

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Ditado popular: “Mais fere a língua do adulador do que a espada do perseguidor”.

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Vitor Caruso: “A aranha sobe pelo fio da própria baba. É a imagem do bajulador, que não tem outro meio para subir”.

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Rabindranath Tagore: “Formosura, procura encontrar-se no amor, não na adulação do espelho”.

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Francis Bacon: “A baixeza mais vergonhosa é a adulação”.

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Marques Rebelo: “Adular não é meio de vida mas ajuda a viver”.

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Marquês de Maricá: “A lisonja é o mel que adoça todos os incômodos, azedumes e importunidades dos empregos eminentes”.

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Maricá, de novo: “Os aduladores são como as plantas parasitas que abraçam o tronco e os ramos de uma árvore para melhor a aproveitar e consumir”.

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Maricá, mais uma vez: “Como os sábios não adulam os povos, estes também não os promovem”.

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Orson Welles: “Os esforços dos bajuladores para agradar nunca me espantaram, o que sempre me espantou é que o que eles querem como retribuição nunca vale a pena”.

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Jean de La Fontaine: “Aprendei que todo adulador vive à custa de quem o escuta”.

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Paul Valéry: “Quando alguém te lambe as botas, coloca-lhe o pé em cima antes que comece a morder-te”.

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Sylvio Abreu: “Falta de dinheiro é ruim, porque obriga você a fazer concessões, puxar o saco de quem você despreza, engolir sapo, aguentar gente chata”.

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Demófilo: “Entregar-se às pérfidas insinuações de um adulador equivale a beber veneno numa taça de ouro”.

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Cardeal Giulio Mazzarino: “Um bom meio de reconhecer um bajulador: conta-lhe que és autor de alguma ação ignóbil, fingindo orgulhar-te dela como de uma façanha. Se ele te felicita, é um bajulador. Um homem sincero pelo menos se absteria de um comentário”.

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Ditado popular: “Deve-se fugir de quem nos louva e aturar quem nos ofende”.

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Jô Soares: “Gente falsa não fala, insinua. Não conversa, gera intriga. Não elogia, adula. Não deseja, cobiça. Não colabora, interfere. Não participa, se infiltra. Não sorri, mostra os dentes. Não caminha, rasteja pela vida sabotando a felicidade alheia e sobrevivendo dos seus restos”.

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Ayaan Hirsi Ali: “Onde não se pode criticar, todos os elogios são suspeitos”.

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Napoleão Bonaparte: “Quem sabe adular também é capaz de caluniar”.

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Maquiavel: “Não há outro meio de guardar-se da adulação, a não ser fazendo com que os homens entendam que não te ofendem dizendo a verdade; mas quando todos podem te dizer a verdade, passam a faltar-te com a reverência”.

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Maquiavel, de novo: “Os homens devem ser adulados ou destruídos, pois podem vingar-se das ofensas leves, não das graves. De modo que a ofensa que se faz ao homem deve ser de tal ordem que não se tema a vingança”.

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Ditado popular: “O louvor em boca própria é vitupério”.

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Plutarco: “O que um príncipe aprende melhor é a equitação, porque seu cavalo não o lisonjeia”.

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Nelson Rodrigues: “Geralmente puxa-saco dá um marido e tanto”.

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Epicteto: “Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda”.

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Johann Wolfgang von Goethe: “Quem não sente amor deve aprender a adular, caso contrário não consegue viver”.

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Ditado popular: “Quem quer subir, se abaixa”.

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George Bernard Shaw: “O que realmente deixa um homem lisonjeado é o fato de você o considerar digno de adulação”.

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Ditado popular: “Quem muito se abaixa, o cu lhe aparece”.

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Georges Clemenceu: “Cada frase do adulador é composta de um sujeito, um predicado e um cumprimento”.

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Eu: “Puxa-saco não precisa de carnaval: joga confetes o ano inteiro”.

É um tipinho universal

Muita gente acha que é só no Brasil que tem certas coisas e certos tipos de gente muito ruins. E certamente algumas pessoas podem torcer o nariz e comentar que puxa-saquismo é coisa do Brasil. Não é. Como já “disse”, existe desde Antiguidade.

Basta dizer que usam expressões equivalentes a puxa-saco em muitos idiomas, quase todos (aí acho que escapam os falados por nossos índios, por exemplo). Nos Estados Unidos, pátria-mãe de quem só vê defeitos no Brasil e maravilhas na Gringolândia, há muitas expressões para falar deles. Cito algumas: bagpiper (o significado literal é tocador de gaita de fole – não sei porque deram o sentido de puxa-saco a essa expressão); ass kisser (beijador de burro), apple polisher (polidor de maçã), suck-ass ou asslicher (lambedor de fiofó), bootlicker (lambe-botas) e yes-man. Esta última foi adotada pelo idioma turco e adaptadas pelo japonês – iesuman – e pelo esperanto – jes-man.

Vejamos em algumas outras línguas. Em francês, é béni-oui-oui; em espanhol, lamebotas (não vale para o catalão, em que puxa-saco é pelotillero, e para o basco – bai-man); em alemão é jazager. Em holandês é jaborer; em sueco, já-sägare; em italiano, persona accondiscendente (não aproveitaram o puxa-saco em latim: assentator, que significa sicofanta); e tem até no samoano: ioe-tagata.

Agora, em idiomas com alfabetos diferentes, ou até sem alfabeto (chinês), os sinônimos de puxa-saco adaptados para o nosso alfabeto: em búlgaro, bezkharakteren chovek; em russo é podpevala; em grego é anexetástos symfonón; em iídiche é yo-mentsh; em árabe, al’limeat min yugarr ‘aw yuayd; e em chinês é yingshëngchóng.

Até na Academia Brasileira de Letras!

Vejam duas listas de nomes:

  1. Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Clarice Lispector, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Antônio Cândido de Mello e Souza, Autran Dourado, Érico Veríssimo, Sérgio Buarque de Hollanda, Paulo Leminski, Graciliano Ramos e Caio Prado Júnior.
  2. Getúlio Vargas, General Aurélio de Lyra Tavares, José Sarney, Marco Maciel, Lauro Müller (político catarinense), Merval Pereira, Roberto Marinho, Assis Chateaubriand, Ivo Pitanguy e Santos Dummont.

Uma delas é de pessoas que fizeram ou fazem parte da Academia de Letras (ABL). A outra é de quem não faz nem parte da turma dos imortais. Fácil de identificar, não? Pois garanto que muitos erraram. A lista 2 é que é dos “imortais” da Academia. Dela fazem parte também algumas pessoas de quem muitos não gostam, mas queiramos ou não se justificam por terem escrito livros, como Paulo Coelho (com muito sucesso de público) e Fernando Henrique Cardoso.

O puxa-saquismo teve momentos gloriosos na ABL, como esses, incorporando entre os “imortais” gente que não tem nada a ver com literatura, mas são ou foram poderosos.

Fora isso, teve acontecimentos interessantes, como agraciar com a Medalha Machado de Assis (a maior honraria da instituição) os então flamenguistas Ronaldinho Gaúcho (jogador), Vanderley Luxemburgo (técnico) e Patrícia Amorim (presidente do clube). A entrega foi feita cerimoniosamente pelo presidente da ABL, Marcos Vilaça.

Histórias famosas de puxa-saquismos

Um prefeito gostava de agradar o presidente da República dando o nome dele à praça principal da cidade. Em 1954 era Praça Getúlio Vargas, mas ele se suicidou e foi substituído por Café Filho, que ficou doente e foi substituído por Carlos Luz, presidente da Câmara dos Deputados. Carlos Luz, acusado de ser golpista, foi deposto pelo Marechal Lott e substituído pelo presidente do Senado, Nereu Ramos, que depois passou o cargo ao presidente eleito Juscelino Kubistchek. Mas mesmo antes de tomar posse, Juscelino já era ameaçado de golpe, por Carlos Lacerda e sua turma da UDN. Mal dava tempo de mandar fazer uma placa e o presidente caía? O prefeito não teve dúvida, deu à praça um nome que resolvia o problema: “Praça Presidente Atual”.

Um partido cheio de raposas era o PSD (Partido Social Democrático) e nele alguns políticos mineiros eram os maiores mestres. Entre eles, Benedito Valadares, especialista em agradar poderosos. Elogiava todos os presidentes, por exemplo. Um dia, falou: “Melhor do que o atual presidente, só o próximo”.

Mas teve quem se enjoasse de ter o saco puxado. Até com Adhemar de Barros, governador de São Paulo famoso por suas manhas, aconteceu isso. Um dia, na festa de aniversário dele, fez-se uma fila para o tradicional “beija-mão”, com pessoas tecendo elogios. Cansado dos puxa-sacos, em um momento ele falou:

— Não aguento mais! Chega de tanto apertar mão. Vá cumprimentar o diabo!